Fabrízio Ricci Romano
A otorrinolaringologia é a especialidade médica que cuida de doenças dos ouvidos, nariz e garganta. Tem grande atuação na área pediátrica, já que as crianças frequentemente sofrem com doenças destas regiões. As mais comuns são as infecções de ouvido e de garganta, as obstruções nasais, tosse e rouquidão. Nos atendimentos de urgência são comuns também os casos de sangramento nasal e de corpos estranhos em ouvidos e fossas nasais.
As doenças mais comuns que acometem as crianças na área da otorrinolaringologia e seu tratamento estão listadas abaixo. As doenças congênitas são as que aparecem já ao nascimento. Podemos destacar:
- Malformações de orelha
Podem afetar apenas o pavilhão auditivo ou, por vezes, o ouvido interno também. Sempre irão causar alterações auditivas. As correções estéticas costumam acontecer apenas mais tarde, porém é importantíssimo que haja desde o nascimento um estímulo da audição, normalmente com próteses auditivas, para assim, garantir o desenvolvimento correto das vias auditivas na criança.
- Surdez neurossensorial
Existem diversas causas para a surdez ao nascimento. Infelizmente, em nosso país a principal delas continua sendo a rubéola durante a gestação. A rubéola é uma doença para a qual já existe vacina, portanto é importantíssimo que toda mulher em idade fértil esteja vacinada contra ela. Em casos de surdez parcial, a protetização auditiva precoce é recomendada para estimular o desenvolvimento auditivo da criança. Novas tecnologias, como o implante coclear também estão surgindo para o tratamento destes pacientes.
- Atresia de coanas
As coanas são as aberturas posteriores do nariz, ou seja, na transição entre o nariz e a garganta. Nas atresias, estas aberturas estão fechadas e a criança tem dificuldade para respirar. Se a atresia ocorre em apenas um dos lados, a correção cirúrgica pode ser adiada até o paciente ter mais peso (normalmente 10 kg, ao redor de 2 anos). Porém, se a atresia for bilateral, a cirurgia deve ser feita imediatamente para evitar problemas respiratórios e alimentares sérios (Figura 1a e 1b).
- Laringomalácia
Esta condição ocorre quando a criança nasce com as cartilagens da laringe muito "moles". Isto faz com que quando ela inspire, a laringe se feche e impeça a entrada de ar nos pulmões. Muitas vezes o tratamento é apenas de suporte porque com o desenvolvimento a situação tende a se normalizar.
Nos primeiros anos de vida da criança, outras doenças tornam-se mais comuns:
- Otites médias:
A otite média aguda é uma infecção do ouvido que acomete praticamente 100% das crianças até os 2 anos de vida (Figura 2). Quase sempre ela aprece após um quadro viral (resfriado, gripe etc) e se manifesta com dor de ouvido, febre e diminuição na alimentação. Caso o número de otites seja muito elevado (mais de 3x ao ano), devem ser buscadas causas que estejam causando estas infecções. As mais comuns são alergia ao leite de vaca, hipertrofia de adenóides e ingerir líquidos deitado.
- Amigdalites:
As infecções bacterianas das amígdalas (que ficam na garganta) também são muito comuns na infância (Figura 3). Costumam causar febre alta, muita dor e por vezes, mau-hálito. O tratamento deve ser rápido para se evitar o aparecimento de complicações, como problemas renais ou cardíacos (febre reumática). Em casos em que haja muita recorrência das infecções pode ser necessária a retirada das amígdalas.
- Rinites:
As rinites, sendo que a mais comum é a alérgica, costumam aparecer nas crianças ao redor dos 3 ou 4 anos de idade (Figura 4). O causador mais comum é o ácaro, animal microscópico que vive na poeira doméstica. As crianças com rinite apresentam obstrução nasal, muitos espirros, coriza, coceira no nariz e nos olhos. Isto pode levar à alterações no sono e baixo rendimento escolar, o que gera dificuldade de concentração. O tratamento consiste em orientações de higiene ambiental, para diminuir a exposição do paciente ao que lhe causa alergia e lavagem do nariz com soro fisiológico. Quando necessário podem ser usadas medicações antialérgicas, orais ou nasais, e também "vacinas" para dessensibilizar o paciente.
- Hipertrofia de amígdalas e adenoides:
Todas as crianças apresentam a partir dos 2 anos de idade aumento das amígdalas e adenóides, sendo que isto, faz parte do desenvolvimento imunológico normal. Porém, em algumas delas este crescimento é exagerado e estas estruturas passam a provocar problemas, como obstrução respiratória, roncos, otites de repetição, acúmulo de secreção nos ouvidos com diminuição de audição, cáries e alterações do crescimento normal do rosto, dentes e palato (céu da boca) (Figura 5a e 5b). Nos casos mais extremos pode ser necessária a remoção cirúrgica das amígdalas e adenóides. Quando há envolvimento dos ouvidos, pode ser necessária também a colocação de tubos de ventilação (drenos).
- Nódulos vocais:
Crianças que gritam muito, falam alto, etc, podem desenvolver os nódulos vocais (os famosos calos). Este espessamento das cordas vocais causa rouquidão e às vezes perda da voz. Em casos em que haja alteração da qualidade de vida, o tratamento recomendado é a terapia vocal com um fonoaudiólogo. A cirurgia é recomendada em pouquíssimos casos. Os meninos costumam apresentar melhora espontânea dos nódulos na adolescência com a mudança da voz.
FAQ - Otorrinolaringologia
O nariz do meu filho sangra com frequência. Isto é normal?
Não é normal, mas é comum. As crianças têm a mucosa do nariz muito delicada, portanto qualquer manipulação pode provocar sangramento. Isto acontece principalmente em crianças com rinite que coçam muito o nariz. Além do tratamento de rinite, uma boa dica é manter as unhas das crianças bem aparadas para evitar os sangramentos nasais. Casos de sangramentos intensos, ou muito recorrentes devem ser avaliados por um especialista.
Como saber se meu filho está com sinusite ou rinite?
A diferenciação entre as crises de rinite, sinusite, ou mesmo viroses respiratórias (gripes e resfriados) é muito difícil e deve ser feita por um médico. As rinites são quadros crônicos, e os principais sintomas são obstrução nasal, espirros e coceira no nariz. Já as sinusites são infecções bacterianas e apresentam além da obstrução nasal, catarro amarelado ou esverdeado no nariz e dor de cabeça. Normalmente aparecem de 5 a 7 dias após um quadro gripal.
Devo usar hastes de algodão (cotonetes) para limpar os ouvidos de meus filhos?
Nunca! A parte interna dos ouvidos (conduto auditivo) não deve ser manipulada de forma nenhuma, mesmo porque a cera atua de forma protetora nesta região. Recomendamos apenas a limpeza da parte externa com toalha.
Li no jornal sobre o 'ouvido biônico'. O que é isso?
O implante coclear é um aparelho que é colocado na parte interna do ouvido e recupera a audição de pacientes com quadros graves de surdez, por isso o nome de 'ouvido biônico'. Ele é indicado para todas as idades, naqueles pacientes que não apresentam melhora com o uso dos aparelhos auditivos tradicionais. Sua indicação deve ser avaliada por um otorrinolaringologista.
Meu filho ronca e dorme de boca aberta, o que pode estar acontecendo?
É muito comum na infância o crescimento exagerado das amígdalas (que se localizam na garganta) e das adenóides (no fundo do nariz). Isto causa uma obstrução respiratória na criança. É muito importante o tratamento para evitar sequelas a longo prazo, principalmente as alterações ortodônticas e de crescimento facial.
Minha filha grita muito e fica rouca com frequência, devo me preocupar?
Sim, o abuso vocal, identificado principalmente em mulheres pode predispor ao surgimento dos nódulos vocais (calos). Você deve ser avaliada por um otorrinolaringologista, e caso confirmado o diagnóstico iniciar tratamento fonoterápico para evitar a piora da qualidade vocal.
Sou fumante há 30 anos e nos últimos meses estou rouco, o que fazer.
Procurar imediatamente um otorrinolaringologista. O hábito de fumar é o grande responsável pelo surgimento de câncer nas cordas vocais e o primeiro sintoma costuma ser de rouquidão. Este tipo de tumor quando detectado precocemente tem ótimas chances de cura. E não se esqueça de parar de fumar. Previna a sua saúde.
Devo fazer o teste da orelhinha em meu filho recém-nascido?
Sim. A perda auditiva congênita (ao nascimento) é razoavelmente comum e hoje sabemos, que quanto antes o tratamento for iniciado, melhores podem ser os resultados para a vida da criança. O teste é totalmente indolor e rápido de ser realizado, e não leva riscos ao bebê.
Quem somos - Equipe Dr. Fabrizio Ricci Romano
Uma equipe médica especializada em otorrinolaringologia-pediatrica composta por:
Dr. Fabrizio Ricci Romano
Possui graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (1997), Residência Médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (2001) e Doutorado em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2005). Atualmente é médico colaborador do departamento de Otorrinolaringologia do HCFMUSP, atuando em ensino e pesquisa. Tem experiência na área de Otorrinolaringologia com ênfase em Rinologia, atuando principalmente nos seguintes temas: otorrinolaringologia pediátrica, cirurgia do nariz e seios paranasais e pesquisa básica.
A Equipe de Otorrinolaringologia Pediatrica é formada por:
Bruno de Rezende Pinna
Bruno Peres Paulucci
Cassio Varella Antonini
Daniella Belotto Pupo
Fernanda Alves Sanjar
Gilberto Sitchin
José Luiz Teixeira Rodrigues
Ligia Elena Silva Ricioli
Luciana Mazoti
Luisa Nascimento Medeiros
Luíz Carlos de Melo Barboza Jr.
Marcio Gutembergue
Maria Dantas Costa Godoy
Raimar Weber
Roberta Borges Novais Petrilli
Rogério Borgui Buhler
Salomão Honório de Paula Pereira
Taciane Brinca Marques Soares
Virginia Silva Gomes